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Jornal de Goiás – China elogia decisão de Trump frente as negociações comerciais ZTE

Presidente dos EUA, Donald Trump, diz que está trabalhando com o líder chinês Xi Jinping para ajudar a gigante das telecomunicações ZTE a permanecer nos negócios.

A China elogiou na segunda-feira a oferta do presidente Donald Trump para impedir que a gigante chinesa de telecomunicações ZTE desmorone devido à proibição da tecnologia dos EUA, enquanto os dois lados se preparam para novas negociações nesta semana para evitar uma guerra comercial.

Em um aparente ramo de oliveira, Trump anunciou no Twitter que ele havia discutido como salvar a ZTE com o presidente chinês Xi Jinping.

O destino da ZTE tornou-se uma parte fundamental das negociações entre as duas principais economias do mundo, com as autoridades chinesas protestando contra a proibição durante as discussões com altos funcionários dos EUA em Pequim no início deste mês.

“Nós elogiamos a observação positiva dos EUA sobre a questão da ZTE e agora estamos nos comunicando com os EUA sobre os detalhes”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Lu Kang, em coletiva de imprensa.

A ZTE, que emprega 80 mil pessoas, disse na semana passada que suas principais operações “pararam” depois de serem proibidas por sete anos de comprar tecnologia americana crucial, aumentando a possibilidade de seu colapso.

Suas redes de fibra óptica dependem dos componentes dos EUA e seus smartphones baratos vendidos em massa no exterior são equipados com chips dos EUA e com o sistema operacional Android.

“O presidente Xi da China e eu estamos trabalhando juntos para dar à empresa de telefonia chinesa ZTE uma maneira de voltar aos negócios, rápido”, Trump twittou no domingo.

“Muitos empregos na China perderam. O Departamento de Comércio foi instruído a fazê-lo!”

A preocupação de Trump com os trabalhadores chineses vem apesar de seus repetidos votos de trazer de volta empregos americanos que, segundo ele, foram perdidos para outros países, particularmente para a China.

“Que tal ajudar algumas empresas americanas primeiro?” O líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer, disse em resposta ao tweet de Trump.

– Medo de guerra comercial –

Autoridades norte-americanas impuseram a proibição por causa do que disseram ser declarações falsas da empresa sobre ações que alegam ter tomado com relação à venda ilegal de produtos para o Irã e a Coréia do Norte. A ZTE se declarou culpada das acusações em março do ano passado e foi atingida com US $ 1,2 bilhão em multas.

Trump insistiu que as relações entre Washington e Pequim nunca foram melhores e tem trabalhado de perto com Xi para persuadir a Coréia do Norte a abandonar seu programa nuclear.

Ao mesmo tempo, as ameaças de tarifas mútuas provocaram temores de uma guerra comercial depois que Trump acusou a China de práticas injustas que custaram empregos americanos.

O principal funcionário econômico da China, o vice-primeiro-ministro Liu He, estará em Washington para uma nova rodada de negociações comerciais de terça a sábado, disse o Ministério das Relações Exteriores, confirmando as datas da viagem anunciada anteriormente.

“Os dois lados vão trabalhar juntos para garantir um resultado positivo e construtivo durante as próximas consultas”, disse Lu.

O Washington Post informou no final do domingo que a Casa Branca e altos funcionários chineses estão discutindo um acordo que relaxaria as severas penalidades contra a ZTE em troca de exigências não especificadas de Trump.

A empresa disse que a ZTE se tornou uma moeda de barganha quando Washington busca concessões relacionadas ao comércio, enquanto pressiona pela cooperação em sanções contra a Coréia do Norte e o Irã.

O jornal informou que uma delegação chinesa de alto escalão estava em Washington na sexta-feira e levantou a questão de saber se os EUA poderiam relaxar sua postura em relação à ZTE.

O jornal também citou um lobista veterano dizendo que o escritório de advocacia Hogan Lovells, que representou a ZTE, está pedindo às pessoas próximas ao governo Trump que mudem a posição dos EUA.

Tem havido uma intensa rivalidade pela supremacia em campos tecnológicos emergentes, como a inteligência artificial e o 5G, o sistema sem fio super rápido da próxima geração.

– ‘ameaça’ da segurança cibernética –

Contra esse pano de fundo, o Pentágono citou os riscos de segurança ao proibir o pessoal de bases militares dos EUA de comprar equipamentos da ZTE e da fabricante chinesa de smartphones Huawei.

O movimento conciliatório de Trump rapidamente ficou sob fogo domesticamente.

“Nossas agências de inteligência alertaram que a tecnologia ZTE e os telefones representam uma grande ameaça à segurança cibernética”, disse Adam Schiff, o principal democrata do Comitê de Inteligência da Câmara.

“Você deveria se preocupar mais com a segurança nacional do que com os empregos chineses”, escreveu ele no Twitter.

David Frum, ex-redator de discursos do presidente George W. Bush, disse que Trump estava enviando sinais mistos depois de abandonar o acordo nuclear com o Irã e ameaçar sanções contra países europeus que continuam a fazer negócios com Teerã.

O presidente norte-americano, no começo do ano, citou preocupações de segurança ao adotar a medida incomum de bloquear a proposta de aquisição, pela empresa então baseada em Cingapura, da fabricante de chips Qualcomm.

Esse caso destacou as preocupações crescentes com o aumento dos concorrentes chineses.

“A China e os Estados Unidos estão trabalhando bem juntos no comércio”, disse Trump no domingo.

“Mas as negociações do passado têm sido tão favoráveis ​​à China, por muitos anos, que é difícil para elas fazer um acordo que beneficie ambos os países”, ele twittou. “Mas seja legal, tudo vai dar certo!”

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# Sandro Gabriel

Sandro Gabriel é jornalista.

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