Jornal de Goiás – Compra de ativos e taxa escalonada para bancos causam grande oposição dentro do BCE, mostra ata

As novas compras de ativos e uma taxa de depósito escalonada geraram uma grande oposição na reunião de política monetária do Banco Central Europeu em setembro, mesmo que todas as autoridades concordando com a necessidade de mais estímulo, mostrou a ata do encontro, divulgada nesta quinta-feira.

Diante de uma desaceleração prolongada, o BCE decidiu no mês passado reduzir os juros a território ainda mais negativo, comprar títulos por tempo indefinido e proporcionar aos bancos algum alívio das taxas negativas com a introdução de uma taxa de depósito escalonada, tudo na esperança de reduzir os custos dos empréstimos e estimular o investimento.

Mas mais de um terço das autoridades – incluindo os chefes dos bancos centrais dos maiores países do bloco, França e Alemanha – se opôs às novas compras de títulos, a maior divergência interna do mandato de oito anos do presidente do BCE, Mario Draghi.

Os opositores disseram que, ao manter as compras de títulos em aberto por tempo ilimitado, o BCE pode “estimular demandas” dos mercados por ainda mais compras ao longo do tempo, o que desafiaria os vários limites auto-impostos que o BCE impunha ao esquema.

“Isso esgotaria o universo comprável e colocaria em questão os limites do programa, considerados importantes para garantir que os limites entre política monetária e política fiscal não sejam confundidos”, mostrou a ata da reunião.

“Vários membros avaliaram que não havia necessidade suficientemente forte de renovar as compras de ativos líquidos, ou porque as consideram um instrumento menos eficaz … ou porque as consideram um instrumento de último recurso”, afirmou o BCE no documento.

A ata também mostrou que algumas autoridades estavam prontas para apoiar um corte maior na taxa de juros, de 20 pontos base, caso o pacote de estímulo excluísse novas compras de títulos.

Contudo, foram expressas ressalvas quanto à taxa de depósito escalonada, que protege os bancos da penalidade do BCE sobre até seis vezes o valor de suas reservas compulsórias.

Ainda assim, a ata também mostrou que todas as autoridades concordaram com a necessidade de mais estímulos, dado o fraco crescimento e as expectativas de inflação baixas, e as compras de títulos acabaram sendo apoiadas por uma “maioria clara”.

A taxa de depósito escalonada teve uma “maioria” em seu apoio, ainda muito aquém de uma “maioria muito ampla” que apoiou um corte nos juros.

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# Reuters

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