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Jornal de Goiás – Na Colômbia, os observadores de pássaros encontram sua versão do Éden

a Colômbia possui o maior número de tipos de pássaros no planeta - 1.920, ou 19 por cento das pessoas no planeta - um verdadeiro paraíso para observadores de pássaros.

Apesar de sua pequena estatura, Juan David Camacho, de 10 anos, tem grandes sonhos: passeando pela selva da Colômbia com binóculos a reboque, ele busca encontrar todas as espécies de aves que seu país oferece.

É um objetivo poderoso: a Colômbia possui o maior número de tipos de pássaros no planeta – 1.920, ou 19 por cento das pessoas no planeta – um verdadeiro paraíso para observadores de pássaros.

“Nós deixamos muito cedo com nossas câmeras, binóculos e tripés e observamos os pássaros até ao meio dia, em silêncio”, diz o jovem – continuando a escanear a área para garantir que ele não perca um espécime raro empoleirado em um se ramificam nas florestas perto de Cali.

Desde que seu pai primeiro o levou observando pássaros há três anos, seu amor pela busca de amigos emplumados chegou a rivalizar até com sua paixão pelo futebol, um passatempo preferido na Colômbia.

Uma vez por mês ele viaja pelas florestas tropicais que cercam Cali, a terceira maior cidade do país com cerca de 2,5 milhões de habitantes.

Aninhado no coração da enorme extensão verde do sudoeste, o Valle del Cauca e a Cordilheira dos Andes, a área conta com 562 espécies de pássaros, “muito mais do que em qualquer lugar da Europa”, de acordo com o especialista Carlos Wagner.

– Zonas de guerra –

Camacho já viu 491, capturando 200 deles em fotos, o menino disse à AFP.

Em fevereiro, ele fez uma palestra – “Três anos de paixão pelos pássaros” – no Festival Internacional de Ave, que traz cerca de 15 mil pessoas para Cali.

Muito curto para chegar ao púlpito no palco, ele agarrou o microfone para discutir as expedições que ele fez com seus pais, um cientista da computação e um advogado.

Grandes áreas do território colombiano ainda precisam ser exploradas: durante décadas, eles foram considerados perigosos demais para viajar por causa do conflito armado prolongado do país.

Um processo de paz em curso com ex-guerrilhas das FARC tem birders como Wagner, esperando que algum dia o acesso seja melhorado.

O especialista de 40 anos, que lidera o festival de pássaros em Cali, diz que a variedade de ecossistemas na região – variando de montanhosa a tropical – permitiu que uma grande diversidade de espécies evoluísse.

Wagner cresceu no campo circundante perto da floresta de San Antonio, local da primeira expedição ornitológica em larga escala na área, que o Museu de História Natural de Nova York realizou em 1910.

– Turismo de pássaros –

Ameaçada pelo desmatamento, este Eden de 900 hectares (2,225 acres) foi classificado como uma “Área de Importância para a Conservação de Aves” em 2004 pela BirdLife, uma grande organização britânica sem fins lucrativos.

Mas porque a Colômbia não reconheceu legalmente a designação, não havia garantia de que seria respeitado, disse Wagner.

Junto com outros observadores de pássaros e ecologistas, ele está trabalhando para sensibilizar os moradores na área da importância da preservação, não é um feito pequeno.

“Nós somos ótimos românticos, mas os agricultores precisam: cortar árvores para cultivar”, disse ele.

E embora a Colômbia seja um reino de pássaros, o turismo de observação é pouco desenvolvido.

O governo, no entanto, está cada vez mais ciente da fonte potencial de renda: no futuro, o ministério do turismo projeta quase 15 mil observadores que possam descer no país latino-americano por ano para observar as aves, trazendo US $ 9 milhões.

A maioria dos observadores de aves que viajam para a Colômbia atualmente são originários dos Estados Unidos, Canadá, Argentina e Reino Unido.

Na floresta de San Antonio, uma dúzia de lugares e guias já recebem observadores, com uma taxa de 15.000 a 20.000 pesos (aproximadamente cinco a 6.50 dólares) por visita.

Olga Gomez, que levanta coelhos, transformou sua pequena fazenda de um hectare em um paraíso para pássaros, com flores para seduzir visitantes alados.

“Nós vimos até 25 espécies, incluindo 18 beija-flores”, disse a mulher de 66 anos com um sorriso. Ela diz que 1.000 visitantes por ano chegam à sua finca La Conchita, ou fazenda rural.

– ‘Magia!’ –

Mais adiante na montanha, na finca de Alejandria, nuvens de beija-flores em um espectro vertiginoso de cores fluttam entre pires vermelhos de água doce, enquanto outros banqueteiam bananas colocadas estrategicamente em plataformas de bambu.

Uma família francesa de Amiens, ao norte de Paris, se maravilha com o espetáculo: “Nas nossas planícies do norte, as árvores desapareceram por causa da agricultura intensiva”, diz Marc Bulcourt, 62 anos, enfermeiro aposentado.

“Nós vemos cada vez menos aves, mas aqui é mágico!”

Um tanager multicolorido, uma das 79 espécies de aves nativas da Colômbia, fecha-se.

“Qualquer observador quer vê-lo pelo menos uma vez antes de morrer!” diz Wagner, apontando para o pássaro turquesa, amarelo e anis colorido.

Manchar um condor raro é a atual busca de Camacho – o icônico pássaro dos Andes está diminuindo em números, dificultando a visão.

Uma vez que atravessou toda a Colômbia, o menino quer expandir seu universo de birding para outros países, ele diz – acrescentando que ele aspira, naturalmente, um dia a se tornar um ornitólogo.

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# Rafaela

Rafaela é colunista.

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