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Jornal JA7 – Os países do Sul da UE apresentam fronteira unida na migração

Itália passou de chegadas em larga escala nos primeiros seis meses de 2017 para uma queda brusca, graças a acordos polêmicos na Líbia.

Jornal JA7: 10 de janeiro de 2018 – 21:30

Os líderes de sete estados do sul da Europa prometeram a quarta-feira seus esforços para enfrentar um dos espinhos mais tenazes do lado da UE: fluxos de migrantes de países devastados pela guerra e empobrecidos.

Os líderes de Chipre, França, Grécia, Itália, Malta, Portugal e Espanha, reunidos em Roma para um jantar de trabalho, divulgaram uma declaração dizendo que estavam “firmemente comprometidos com uma política europeia comum de migração”.

O “Sete do Sul” abordou questões como o futuro da zona do euro e os esforços para impulsionar o crescimento, mas de centros de acolhimento lotados na Grécia para barcos em direção a Espanha, o tema principal foi migrantes.

Aqueles na linha de frente para as chegadas desesperam a relutância de alguns países europeus – como a Polônia ou a República Tcheca – para compartilhar o peso da recepção.

“Devemos lutar juntos para implementar uma política de migração que mostre solidariedade com os países que recebem esses fluxos significativos”, disse o primeiro-ministro grego Alexis Tsipras à imprensa.

O presidente da França, Emmanuel Macron, também criticou as “inconsistências” nas regras europeias de asilo de Dublin que obrigam os países que servem de ponto de chegada na Europa para enfrentar a crise.

O apelo a um “esforço determinado” para melhorar o sistema, porém, não permitiu mencionar o lance da UE para mudar os migrantes – uma oferta que irritou alguns países ou foi ignorada.

Para a Itália, 2017 foi um ponto de viragem: o país passou de chegadas em grande escala nos primeiros seis meses para uma queda brusca, graças a acordos polêmicos na Líbia.

Cerca de 119 mil pessoas chegaram à Itália no ano passado, com queda de 35% em 2016.

O primeiro-ministro italiano, Paolo Gentiloni, se vangloriou dos “resultados encorajadores no controle dos fluxos (migrantes) e da luta contra o tráfico de seres humanos” e pediu à Europa para garantir que os resultados “sejam consolidados”.

Por sua vez, a Espanha viu um aumento notável em argelinos e marroquinos navegando, de 6.000 tentando a travessia em 2016 para quase 23.000 retirados no ano passado.

Na Grécia, um acordo entre a UE e a Turquia limitou o número de chegadas a 28.800 – seis vezes menos do que em 2016 -, mas não resolveu o problema de cuidar daqueles que já haviam feito a jornada.

– Sob pressão –

O número de mortos ou desaparecidos no Mediterrâneo caiu de quase 5.000 durante os cruzamentos em 2016 para 3.116 em 2017, principalmente na costa da Líbia.

Mas o início de 2018 viu algumas estatísticas sombrias.

Entre 90 e 100 migrantes estavam desaparecidos depois que seu barco improvisado afundou a Líbia, a marinha do país disse no final da terça-feira. Dez imigrantes também morreram no último fim de semana e dezenas mais estão desaparecidas depois que seu barco afundou.

Mas, além dos resgates no mar, os pedidos de asilo – e os inevitáveis ​​atrasos e longos apelos – colocaram grande pressão em alguns países.

A Grécia está lutando para lidar com mais de 50 mil migrantes e refugiados, dos quais 14 mil estão abarrotados de tendas ou centros de ilhas supervalentes do mar Egeu.

Na Itália, as autoridades deixaram de fornecer detalhes sobre o número de requerentes de asilo alojados em seus centros de acolhimento, com os últimos números disponíveis mostrando que havia quase 200 mil na primavera passada.

A Espanha enfrentou uma reação sobre o estado dos centros de detenção onde os migrantes são mantidos antes de serem expulsos.

– Corredores humanitários –

O ministro italiano do Interior, Marco Minniti – o homem por trás do acordo com a Líbia apoiado por Bruxelas para impedir que os migrantes partiram para a Europa – exortou a UE a seguir a liderança de Roma em corredores humanitários.

Três dias antes do Natal, a Itália recebeu um grupo de 162 refugiados etíopes, somalis e iemenitas que voaram diretamente da Líbia atingida pela crise.

Cerca de 10 mil refugiados deverão seguir em 2018, disse Minniti, desde que estejam espalhados por toda a UE.

Com a França também enfrentando um aumento recorde nos pedidos de asilo, espera-se que a questão da migração apareça numa reunião bilateral quinta-feira entre Macron e Gentiloni.

 

Tags: Economia, Manchetes

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# Marcelo Lima

Marcelo Lima é jornalista.

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