Escolher uma prótese de silicone apenas pelo número de mililitros pode levar a uma percepção equivocada sobre o resultado da cirurgia.
Duas mulheres podem colocar implantes de 300 ml e, ainda assim, apresentar mamas com projeção, volume aparente, colo e formato bastante diferentes.
Isso acontece porque não existe uma relação direta entre determinado número de mililitros e um único resultado estético.
A Dra. Lorena Duarte Rosique, Cirurgiã Plástica em Goiânia, explica que a escolha do implante precisa considerar tanto suas características quanto as proporções anatômicas da paciente.
Próteses com o mesmo volume podem, por exemplo, apresentar diferentes larguras de base e níveis de projeção.
Um implante pode distribuir o volume sobre uma base maior, enquanto outro concentra esse mesmo volume em uma base menor, projetando mais a mama para frente.
Além disso, cada mulher apresenta uma largura própria de tórax e uma determinada base mamária.
Quando o implante é colocado em uma paciente de tórax estreito, sua percepção pode ser completamente diferente daquela observada em uma mulher de tórax mais largo.
A quantidade de tecido mamário existente antes da cirurgia também modifica significativamente o resultado.
Uma paciente que possui mais glândula, gordura e cobertura de tecidos sobre o implante tende a apresentar comportamento diferente de uma mulher muito magra ou com pouca estrutura mamária.
Essas características podem alterar a forma como o silicone fica coberto, a definição do colo e até a percepção das bordas da prótese.
Outro ponto importante é a pele.
Peles firmes e com boa elasticidade tendem a responder de maneira diferente de tecidos que já passaram por alterações decorrentes de gravidez, amamentação, emagrecimento importante ou envelhecimento.
Quando existe flacidez acentuada, colocar uma prótese maior na tentativa de preencher o excesso de pele pode não resolver adequadamente a queda das mamas.
Nessas situações, após avaliação individual, pode ser necessária uma mastopexia para retirada do excesso de pele e reposicionamento da mama, com ou sem implante.
A posição original das mamas também influencia o resultado.
Algumas mulheres possuem mamas naturalmente mais separadas. Outras apresentam maior proximidade entre elas. Também são comuns pequenas diferenças de volume, posição das aréolas e altura dos sulcos mamários.
Essas características anatômicas precisam ser respeitadas durante o planejamento.
Por esse motivo, nem sempre é possível reproduzir exatamente o decote ou o formato de mama observado em uma fotografia.
As proporções corporais também entram nessa equação.
Uma mulher alta, com tórax largo e ombros maiores, pode apresentar percepção visual de uma prótese muito diferente de uma paciente mais baixa e com estrutura corporal menor.
Assim, perguntar apenas pelo número de mililitros não é suficiente para prever o resultado.
Mais importante é avaliar largura, projeção, formato do implante, quantidade de tecido existente, qualidade da pele, presença de flacidez, assimetrias e proporções corporais.
A escolha adequada não busca copiar a prótese de outra mulher, mas encontrar a opção que tenha maior compatibilidade com a anatomia e com os objetivos individuais de cada paciente.








































