Depois de uma cirurgia de prótese de silicone, é esperado que os implantes permaneçam posicionados dentro do espaço preparado pelo cirurgião plástico.
No entanto, mudanças nos tecidos das mamas podem fazer com que uma das próteses fique mais baixa, mais alta ou mais lateralizada ao longo do tempo.
Essa alteração de posição recebe o nome de malposição do implante.
Apesar da expressão popular de que a prótese “saiu do lugar”, o implante não fica solto dentro da mama. Ele permanece envolvido por uma cápsula de tecido formada naturalmente pelo organismo e acomodado em um bolso cirúrgico.
O problema aparece quando os tecidos ou os limites desse bolso deixam de manter a prótese exatamente na posição inicialmente planejada.
Quais alterações podem acontecer?
Uma das situações possíveis é a descida excessiva da prótese abaixo do sulco mamário, chamada de bottoming out.
O implante também pode se deslocar em direção às laterais do tórax ou permanecer mais elevado.
Dependendo do caso, a mulher pode perceber:
- uma mama mais baixa que a outra;
- diferença de formato;
- maior distância entre as mamas;
- assimetria dos mamilos;
- mudança perceptível na posição da prótese.
Essas alterações podem surgir meses ou até anos depois da cirurgia.
O que pode favorecer o deslocamento?
A sustentação da prótese depende de diversos fatores.
Entre eles estão o peso e o tamanho do implante, a elasticidade da pele, a espessura dos tecidos, a anatomia do tórax e o grau de flacidez mamária.
Um implante muito pesado para as características dos tecidos da paciente pode exercer pressão constante sobre essas estruturas.
Com o passar dos anos, o envelhecimento natural também reduz a elasticidade da pele.
Gestação, amamentação e oscilações importantes de peso podem modificar ainda mais o formato e a sustentação das mamas.
Em alguns casos, alterações da cápsula que envolve o implante, traumas ou mudanças no espaço cirúrgico também podem contribuir para a malposição.
Toda assimetria no pós-operatório é um problema?
Não.
Nas primeiras semanas depois da cirurgia, é comum que uma mama apresente mais inchaço que a outra ou que os implantes estejam em fases diferentes de acomodação.
Por esse motivo, pequenas diferenças iniciais não significam automaticamente que ocorreu deslocamento.
A avaliação muda quando a assimetria é acentuada, piora progressivamente ou aparece depois de um período em que o resultado já estava estável.
O implante precisa ser trocado?
Nem sempre.
Primeiro é necessário descobrir por que a prótese mudou de posição.
Em algumas situações, o implante está preservado e o problema está relacionado ao bolso mamário ou à sustentação dos tecidos.
Nos casos em que uma nova cirurgia é indicada, o cirurgião pode modificar o espaço da prótese para recuperar sua posição adequada. Dependendo das condições encontradas e das características do implante, também pode ser considerada sua substituição.
Não existe, portanto, uma correção única para todos os casos.
Planejamento influencia a estabilidade da prótese
A escolha de uma prótese de silicone envolve muito mais do que decidir quantos mililitros serão utilizados.
O cirurgião também precisa analisar largura e formato das mamas, tórax, qualidade da pele, quantidade de tecido disponível e presença de flacidez.
O objetivo é encontrar uma combinação entre implante e técnica que seja compatível com a anatomia da paciente.
Ainda assim, todo procedimento cirúrgico apresenta riscos e nenhuma técnica consegue garantir que alterações nunca ocorrerão.
Caso uma das mamas apresente mudança evidente de posição, especialmente depois de meses ou anos de estabilidade, é recomendável procurar um cirurgião plástico para avaliar o implante, os tecidos e a possível causa da alteração.








































